domingo, 2 de março de 2008


Eu agradeço...

Tu me feriste, mesmo assim eu agradeço...

Usufruímos momentos que não esqueço,

Infinitos para mim, amáveis e delirantes...

Meras palavras - hoje sei - soltas ao vento,

Mas me embalavamm, me adoçando o pensamento,

E tornavam os meus dias empolgantes.

Depois partiste, me deixaste, sem pudor, sem compaixão.

Naufragou-se meu amor nas ondas da solidão,

Sufocando em nostalgia um mudo, calado, pranto...

E a roda do destino a mover-se, implacável,

Transformou a relação, tão intensa e adorável,

Em um charco de feridas, de mágoas e desencanto...

No entanto o meu ser hoje sente gratidão

Pela chance que o destino deu-me, então,

De me auto-conhecer e me reerguer também,

Permitindo-me o prazer de poder verificar

Quanto este coração consegue se doar,

E com que intensidade sou capaz de amar alguém!

Oriza/2005

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